Luiz Poema.
Bom, se tem Luiz Melodia, tem Luiz Poema. Tem Luiz qualquer coisa.
O que importa dizer é que eu tenho coisas ditas escritas e quero que eleas sejam vistas.
Se não forem, tudo bem; também não tenho planos.
Mas é bom escrever e escrever alto.
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Eu quero fazer uma poesia sanguinolenta
Que verta sangue
Sangue que sai bem do fundo de minhas entranhas
Sangue batido, sangue pisado,
Negro
Que jorre, ferva e manche.
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Numa bola de fogo você se foi Na estrada da fazenda Ainda me lembro bem: A luz da coisa matou um boi. No chão, ficaram as marcas das patas Aterrissadas Ouvi seus gritos As figuras caladas A levaram num facho de luz Eu corri, gritei seu nome meus braços abertos em cruz cheguei tarde, você havia subido com aqueles seres numa nave e num zunido era agora apenas um ponto de luz e eu fiquei aqui perdido gritando no escuro. Hoje, sentado na varanda, fico toda noite A te procurar Você se foi Num disco voador E naquela noite, eu sei, morreu um boi.
Noite O radar sintoniza o alvo O piloto solta a bomba Ela cai, silenciosa, calma e certeira No meio da escuridão. A nave retornou para casa O piloto, para sua família A bomba continua caindo Lá embaixo, todos dormindo Na base, todos sorrindo Alguém num quarto escuro Acorda sobressaltado Vê uma luz na janela Está tudo acabado.
Eram tantas pessoas pisando naquela flor Eram coisas estranhas Era raiva e era amor Caminhando num campo de flores Vivendo diversos amores Eram tantas pessoas... Nem o sol, nem a lua Nem a própria noite Presenciou tantos dissabores Assistiram a tantos horrores Num campo minado de flores Um canto qualquer do oriente Pessoas pisando em pessoas E flores sementes de amores Destruídas por naves à toa.
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